domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ana

Mais uma viagem para o Brasil e, coincidência das coincidências, mais uma passagem pelo Aeroporto da Portela. Asseguram-me que a TAP tem voos diretos do Porto para o Brasil, mas, se realmente os tem, serão provavelmente para uso exclusivo de árbitros de futebol. Hei-de investigar melhor essa possibilidade, pois, fazendo parte da minha atividade profissional arbitrar artigos submetidos para publicação em revistas científicas, poderei, com alguma propriedade, também considerar-me um árbitro. Passarei até a comprar os bilhetes na agência Cosmos que, segundo consta, costuma ser generosa com quem exerce essa atividade profissional, mandando a fatura para clientes mais abastados com a contabilidade desorganizada. Uma espécie de Robin dos Bosques a operar na área das viagens.

De todas as vezes que passo pela Portela fico com a sensação de que as pontes telescópicas (ou mangas, como sói dizer-se) do terminal principal estão lá para inglês ver (ou será que os passageiros britânicos as utilizam?), pois não acredito que seja apenas uma fatalidade estatística que nunca me queiram enfiar nas ditas mangas. Se na ida é desagradável, na volta a coisa é ainda pior: descer do avião, pegar um autocarro para o Terminal 1, passar no Posto de Fronteira, pegar novo autocarro para o Terminal 2 e, finalmente, pegar um autocarro para o avião que me levará até ao Porto. Tudo isso, mesclado com muitas subidas e descidas de escadas nem sempre rolantes.

Não sei porque sujeitam os nortenhos a tanto desconforto, mas a empresa com nome de mulher (já lá vou) que administra o aeroporto devia repensar a situação. Será que a ideia é sacrificar os passageiros adeptos de algum clube nortenho suspeito? Se assim for, não é má ideia de todo, mas advirto que no norte também há clubes honestos. Sugiro que, por exemplo, passem a fazer uma triagem pelo cartão de sócio. O meu é do Paços de Ferreira e está sempre com as cotas em dia. Por outro lado, mora em Lisboa tipos como o Miguel Sousa Tavares, adepto do tal clube nortenho suspeito que até se opõe à construção de um novo aeroporto em Lisboa. Talvez esteja na hora de o obrigarem a passar pelo aeroporto do Porto nas suas viagens para o Brasil (dizem que são muitas) e, na volta, deixá-lo a ver mangas em três autocarros.

Não sei o nome da instituição que permite o registo de marcas em Portugal, mas também pouco interessa para o caso. O que realmente interessa é que tenho tia, sobrinhas, várias amigas e uma musa chamada Ana Ivanovic, todas acima de qualquer suspeita sobre a conduta de mulher séria (especialmente a tia e as sobrinhas) e revolta-me que tenham permitido registar como Ana uma empresa que trata o viajante com tamanho desconforto. Uma espécie de prostituta de beira de estrada. Não vou perder tempo a medir as minhas palavras, pois sei bem que essa é a designação apropriada para aquela que se aproveita do viajante que passa sem alternativa, cobra caro e não oferece um mínimo de conforto. Para esse ramo de atividade há nomes muito mais apropriados. Shirley ou Vanessa Alberta, por exemplo. Mas Ana não, por favor!

3 comentários:

  1. Mais uma bela crónica... Engraçado, agora, ver como será o apoio para a semana que vem... Portela, Lisboa, Luz, Benfica... Paços...
    Como vai ser? É Benfica para campeões, ou Paços para complicar as contas?
    Quanto ao texto, como sempre, até agora, bem escrito, engraçado, com humor pertinente!
    É uma lufada de ar fresco, sem dúvida!

    Abraço

    Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

    http://Bimbosfera.blogspot.com

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  2. Infelizmente estarei longe para dar apoio. Limitar-me-ei a torcer. Um jogo de alto nível, de molde a honrar as brilhantes épocas de ambos os clubes, é o meu desejo.

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  3. ANA vem do Hebraico e significa CHEIA DE GRAÇA...

    Por isso só com muita Graça estas coisas acontecem na Portela.

    Se repararmos bem no logótipo da empresa o primeiro "A" é para que desembarca em Lisboa e o segundo para quem segue viagem para o Porto...

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