quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Qual é maior?

Desde já desiludo quem do título desta crónica possa ter deduzido que viria aqui algum depoimento sobre manifestação de tendência homossexual masculina entre amigos de infância na época das grandes descobertas. Desenganem-se, tratarei aqui de teoria dos números, pura e abstrata, em perfeita sintonia com esse viril desporto chamado futebol. Mas garanto que, imbuído de um espírito universalista, tentarei abordar os temas de modo a não assustar quem detesta futebol, nem quem detesta Matemática, nem quem detesta ambas as coisas.

Dos que detestam a Matemática, conheço muitos e de longa data. O primeiro no qual detectei a tendência foi o António Carlos, colega de liceu, que ainda em plena adolescência descobriu uma profunda paixão pelo Direito para evitar a Matemática a partir do 10º ano. De lá para cá, com maior ou menor frequência, constato manifestações mais ou menos explícitas de advogados que lhe seguiram (ou anteciparam) as pisadas, o último dos quais José Guilherme Aguiar, comentador desportivo do programa Dia Seguinte na SIC Notícias. Não se empertiguem os advogados, pois bem sei que nem todos encaixam neste estereótipo. Assim de repente não me lembro de nenhum, pero que los hay, los hay.

Mas voltemos aos números. Melhor, ao futebol. Aliás, ao José Guilherme Aguiar. O sujeito anda desde o Natal a implicar com o golo que o Saviola marcou ao FCP. Não perde uma oportunidade para exibir o anti-benfiquismo primário em todo o seu esplendor, bem secundado pelo acólito verde — não me refiro a nenhum marciano —, afirmando que o golo é ilegal, porque surge na sequência de um fora-de-jogo do Urreta.

Insistiu tanto na história que já pensava dar-lhe algum crédito e adotar para a teoria futebolística de análise à arbitragem a teoria matemática do caos, teoria essa que tem como pilar fundamental o princípio da sensibilidade nas condições iniciais. Num pequeno parêntesis, e para elucidar os mais mal informados, adianto que numa visão extrema  — existe maneira mais elucidativa para exemplificar algo? —, podemos deduzir que está ferido de ilegalidade um golo limpo no último minuto, só porque o árbitro no primeiro minuto não assinalou uma falta banal. Com base em quê? Ora, no facto de que se tivesse assinalado essa falta todo o jogo teria sido diferente. A coisa não é disparatada de todo. Nem nada sensata.

Já pensava adotar essa ideia peregrina da teoria do caos para o futebol português — como se precisasse de mais —, quando entrou em cena a discussão sobre a validade do segundo golo que o Braga — grande rival do SLB esta época — marcou no domingo passado aos verde-rubros da Madeira, golo esse precedido de bola fora do campo nas barbas (se as tivesse) do bandeirinha — não entro em eufemismos vanguardistas de futebolês, bandeirinha é bandeirinha! — e não sancionada por este.  Instado a comentar o lance, José Guilherme Aguiar afirma perentoriamente não haver mácula que possa ser detectada no referido golo. Justificação? Entre a bola fora do campo e o golo passou tempo suficiente para que não faça sentido apelar-se a qualquer tipo de correlação entre a ilegalidade da bola fora e a legalidade do golo dentro. Onde é que eu já vi algo parecido mas sem a mesma conclusão?

Hoje em dia não há dúvida futebolística que subsista por muito tempo. Quase sempre subsiste o tempo que demora até alguém colocar o vídeo do respectivo lance no YouTube. No caso em concreto, dois vídeos: o do Saviola — que já lá estava desde a época natalícia para reanimar portistas amargurados — e o do Luís Aguiar (mais carnavalesco). Podia ter acontecido de, entre a ilegalidade do fora-de-jogo e o golo do Saviola mediar menos tempo do que entre a ilegalidade da bola fora de campo e o golo do Luís Aguiar. Aposto até que, em tal caso, num critério auto-denominado de nada tendencioso e no fair-play que o caracteriza , José Guilherme Aguiar argumentasse que é em algum momento entre os dois tempos (tempo médio?) que a teoria do caos aplicada ao futebol deixa de ter validade. Contudo, a medição do tempo nos vídeos do YouTube demonstra que se tratou de parcialidade descarada e do mais puro veneno anti-benfiquista, pois no tal lance do Saviola transcorreram 14 segundos, enquanto que no do Aguiar (o jogador) apenas 10 segundos.

Consigo imaginar uma das primeiras aulas com algum conteúdo matemático, muito provavelmente um dos momentos mais marcantes na vida do referido comentador que teima em não permitir que eu simpatize com ele. Pergunta o professor: «Qual é maior, Zezinho, 10 ou 14?». Na reação do professor à sua resposta deve ter descoberto Zezinho, aos 6 anos de idade, a paixão pelo Direito.

6 comentários:

  1. A questão principal é de facto tentar entender o que o ele diz, porque em nenhum momento ele tira ou engole as batatas quentes que tem na boca....

    Quanto ao programa citado deixei simplesmente de assistir, muito barulho e confusão deixa-me irritado.
    ... Ver mais
    Ainda mais quando temos um elemento do Porto (cidade)puxando pelo Benfica e este também com graves problemas em retirar as batatas quentes na boca!!!

    VIVA A NATAÇÃO!!!!...

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  2. Belo post, sim senhor, não conhecia, mas assim que terminar de comentar irei passar a seguir.
    O meu blog é também uma tentativa de fazer humor. Não somos todos gatos, mas somos todos fedorentos... Espera, esta não saiu muito bem, e eu já tomei banho hoje.
    Ou seja, tentamos o nosso melhor, e o que interessa é isso mesmo. Aliás, parece-me bastante interessante, e se o blog for todo assim, pró-Benfica, que o meu é aclubístico, ou tenta, pois gosto de ter sempre tema para falar e falar do Benfica costuma dar tema, o pessoal da Gloriosasfera poderá querer alguma coisa aqui com o autor do texto...
    Abraço

    Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

    http.//Bimbosfera.blogspot.com

    P.s.- Eu vou passar a palavra. Se quiser trocar links comigo, eu vou por o seu, agora, no meu, se quiser, ponha o meu no seu. Obrigado.

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  3. Mas quem é que perde tempo com esse emissário do FCP?! Só de pensar que este individuo andou pela Câmara de Gaia...

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  4. Atitude merecia mais

    O FC Porto chegou ao Algarve com os argumentos reduzidos pelos infortúnios recentes e que culminaram com a grave lesão de Varela no derradeiro ensaio para a final da Taça da Liga. O Dragão, apesar disso, entrou decidido a esquecer todas as feridas e a discutir com a bravura de um Tetracampeão. Um remate feliz logo aos nove minutos e outro à beira do intervalo de uma partida que seguia repartida, contudo, cavaram uma diferença difícil de superar.

    O primeiro lance de golo saiu do pé esquerdo de Rodríguez, que rematou já no interior da área para defesa aparatosa de Quim. Essa jogada, de resto, nascia de um desenho consistente do FC Porto, que procurava posicionar-se onde mais gosta, ou seja, no meio-campo adversário.

    Na resposta, porém, o adversário inaugurou o marcador, sem que a sua produção o justificasse e sem que a grande área azul e branca tivesse sequer sido pisada. Era um forte revés, que se juntava ao infortúnio clínico e que se tornava absolutamente desproporcionado pouco depois, quando o guarda-redes salvou mais uma bola a caminho da baliza e Rodríguez ficou a escassos milímetros de cabecear para as redes.

    E quando era ao FC Porto que pertenciam as despesas e os principais «empurrões» no encontro, eis que o score surge alargado, em novo disparo bafejado pela sorte. Epílogo antecipado? Para a maioria das equipas, talvez. Para o Dragão, nem por isso. Na segunda parte, a formação de Jesualdo Ferreira voltou a fazer tudo para explanar o seu futebol, revelando uma atitude competitiva de sublinhar, mas não sendo capaz de confirmar aquilo que o pé esquerdo e a acrobacia de Rodríguez prometeram logo ao minuto 46. A atitude merecia mais.

    in site FCP... comentem pfv

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  5. Boas! Dá-me vontade de comentar... Claro...
    É uma visão, pintada de azul, sem dúvida. Se acharmos sempre que os azuis são melhores, até parece que o Benfica estava lá «acantonado» na pequena área a segurar «o vendaval» ofensivo dos azuis... Vendaval esse que só se viu nas entradas de Bruno Alves, Raúl Meireles e às vezes Fernando...
    O certo é que mais uma vez, com quase metade da equipa do Benfica de fora, ou melhor, quase metade dos habituais titulares, Javi, Cardozo, Saviola, Ramires, o Benfica produziu ataques e mostrou como tem jogado «à bola», este ano, SEM ACELARAR!!!
    Quem ía acelarando, novamente, era o Bruno Alves, que falhou por um, ao intervalo, quando fazia questão de mosrtar 4 dedos para o público, e afinal o jogo acabou apenas com 3-0...
    O Benfica mostra, neste momento, presente e futuro. O Porto, neste momento, mostra pouco mais do que o que se reflete na tabela... Podemos sempre fazer a conversa do coitadinho, como Jesualdo, ou então por os jogadores a jogar à bola!

    A atitude do Porto merecia mais? Merecia, mais um ou dois, pois se os vermelhos, as 4 ou 5 agressões que tomei nota, de Alves e Meireles, se fossem sancionadas, com 9, ou se punham a defender lá atrás para não levarem uma goleada histórica, ou... É mesmo só isso!

    O Benfica foi um justíssimo vencedor!

    Abraço

    Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

    http://Bimbosfera.blogspot.com

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