terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bares de tapas


Viagens que tenham por destino cidades latino-americanas não brasileiras são normalmente mais cómodas com uma escala em Madrid. Mesmo para as cidades brasileiras, se por comodismo entendermos economizar umas dezenas de euros, poderá também ser mais cómodo fazer a tal escala em Madrid. Estranha e misteriosamente, é por vezes mais barato viajar em voo TAP (via Lisboa, claro) a partir de uma cidade europeia do que começar a viagem em Lisboa ou no Porto.

No caso de Madrid, até consigo entender que os aviões da TAP aproveitem para abastecer os depósitos a preços muito mais convidativos, mas para outras cidades europeias onde os combustíveis possam ser mais caros (se as houver) não consigo encontrar justificação plausível. A aviação comercial é decididamente uma área difícil de entender. Por vezes fico com a sensação de que, suportadas nas ajudas financeiras dos diversos estados, as principais companhias aéreas (as de bandeira, como sói dizer-se) existem mais com o propósito de se aniquilarem umas às outras do que propriamente para tratarem da sobrevivência.

Mas voltando a Madrid. Ao tema de conversa, claro. Trocar uma escala em Lisboa por outra em Madrid é normalmente um prazer. Se o tempo der (e quase sempre dá), significa também trocar as diversas viagens nos autocarros da Groundforce (parte da TAP subespecializada em maltratar clientes, disfarçada de outra empresa para não prejudicar o bom nome da companhia aérea) por um cómodo e eficiente metro até ao centro de Madrid e aproveitar o muito de bom que a cidade tem para oferecer (Sara Carbonero não incluída). Se para mais não der, uma ligeira peregrinação por uns bares de tapas já justifica a viagem. Muitos crêem que de Espanha nem bom vento nem bom casamento, mas sem receio da acusação de traição à pátria, acrescento também que de menos bom é praticamente só isso: vento (no inverno) e casamento (o ano todo). E no que ao casamento diz respeito, confesso que tempos houve em que cheguei a duvidar.

Um dos setores no qual os bons hábitos espanhóis deviam servir de modelo aos portugueses é o da restauração. Não o da refeição formal, com mesa, talheres, sopa, prato principal, sobremesa, café e conta que não serve de fatura (um traço de informalidade!), mas o das tapas ao balcão, vinho a copo e sobras no chão. Que diós me perdoe a heresia, mas o que de similar se poderia considerar por cá seriam os snack-bares. Em termos de quantidade, não tenho a mínima dúvida, pois estou absolutamente seguro de que Portugal é o país do mundo com mais cafés/restaurantes com a designação de snack-bar por quilómetro quadrado. O mau uso da palavra é tanto que até dicionários respeitáveis (como o Google Tradutor, por exemplo) já consideram a palavra como bom português. Infelizmente, na maioria desses tais snack-bares entende-se por snack uma torrada, um prego em pão ou uma sande mista. Que pobreza lusitana!

Finalizo com um pequeno aparte: há muitos que dizem sandes em vez de sande, mas confesso que nunca entendi se são exatamente a mesma coisa. Será que a sandes mista tem mais fatias de queijo e fiambre?


1 comentário:

  1. Amigo José,

    Em Matosinhos na Rua Ló Ferreira 73, em frente (salvo erro) ao café Nau existe o tapas & papas com comida do género que a foto apensa documenta.

    Esta tua crónica fez-me recordar o meu tempo de criança em que com o meu Pai ia às tascas.
    Lembro-me muito bem das tascas que haviam e onde se serviam petiscos como a salada de polvo, de orelheira, as papas de sarrabulho, o chouriço assado, a alheira, o presunto e o vinho (branco ou tinto) a copo (de 3, traçado ou penalti)...

    Porque não reavivar estas tascas, modernizando-as? Faz parte da cultura Lusitana...
    Muita gente deve achar isto piroso mas eu acho muito bom! Tenho saudades de ir à Rua do Bonjardim, Porto, entrar na "Conga" e comer uma bela bifana quente no pão e... a pingar.

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