segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O arquiteto Costa

Ao contrário do que diz o povo, em Portugal, o hábito faz o monge. A comprová-lo estão as recentes medidas anunciadas pelo diretor desportivo do Sporting Clube de Portugal. Segundo notícias veiculadas na comunicação social, os funcionários do Sporting estão agora proibidos de usar calças de ganga no seu posto de trabalho, desaconselhando-se ainda o uso de calções, bermudas, ténis e chinelos, e privilegiado-se o uso do blazer. Para quem não sabe, o Sporting é uma agremiação desportiva que, segundo consta, tem como funcionários alguns jogadores de futebol.

Das notícias vindas a lume não ficava claro se a medida devia ser seguida à risca (ou ao quadrado, pelo que se conhece do tal diretor desportivo) por todos os funcionários. Em caso afirmativo, teremos na próxima jornada da Liga Portuguesa uma sui generis equipa de futebol em blazer. No posto de trabalho, é claro, mais conhecido como relvado. Sendo o Sporting um clube vincadamente da aristocracia, o disparate deve estar na minha cabeça.

O episódio traz-me à memória o registo fonográfico de um encontro histórico, em 1968, entre Vinícius de Moraes e Amália Rodrigues, em Lisboa. Presentes nesse encontro, na casa de Amália, estavam também Natália Correia e Ary dos Santos, entre outros, tendo a conversa e a música fluído naturalmente até altas horas da madrugada. Em dado momento, Vinicius é convidado a pronunciar-se sobre a impressão que leva dos portugueses. Entre muitas palavras amáveis, aproveita também para apontar-nos um aspeto negativo: uma exagerada tendência para o formalismo! É interessante constatar que, volvidos mais de 40 anos, a sua impressão dos portugueses continua tão atual.

Relativamente à agremiação desportiva, causa-me ainda alguma perplexidade que, pese embora o acentuar do bom e velho formalismo lusitano, continuem a chamar o seu diretor desportivo singelamente de Costinha. Não combina. Valeria a pena comprarem-lhe um título. E não me refiro a título desportivo, pois compras dessas são especialidade de outra agremiação mais a Norte. Um título académico, como doutor, engenheiro ou arquiteto. E, estando para ele reservado o papel de obreiro-mor na construção deste novo Sporting, julgo que Arq.º Costa seria o ideal.

2 comentários:

  1. O snobismo dos sportinguistas é por demais evidente, entre condes e viscondes existem aqueles que adorariam títulos mas são incapazes de os ter por incompetência própria. Nem mesmo aqueles tirados a um domingo numa esplanada lisboeta, onde o inglês técnico é Rei....

    ResponderEliminar
  2. O SCP caminha para o descrédito total. É só rir!

    ResponderEliminar