terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Fédération Nationale d’Achats des Cadres

A FNAC, tratando-se de uma multinacional de grande sucesso, é natural que encerre alguns mistérios. A começar pelo seu nome, que em francês é sigla para algo como Federação Nacional de Compras dos Quadros (não se infira do nome que a FNAC surgiu como uma federação de galerias de arte pictórica, ou algo do género, pois a palavra "quadro" é aqui utilizada para designar gerente de empresa). Quem visita alguma das atuais lojas da cadeia não imagina que na génese daquele lugar esteve uma federação com esses objetivos. Mas o maior e mais ambicionado dos mistérios será, certamente, a sua fórmula de sucesso para a captação e fidelização de clientes.
 
Há dias, recebi uma mensagem eletrónica da FNAC anunciando uma pré-venda. Ciente de que tais pré-vendas são, normalmente, lançadas para os produtos mais desejados pelo grande público (produtos esses que rapidamente chegam à condição de esgotados), é com satisfação que me sinto brindado por tais anúncios. Aberta a mensagem, constato que se trata de um CD+DVD do Tony Carreira, incluindo (como brinde) um CD single da nova balada do artista, com a possibilidade de (pagando mais cerca de 50%) receber uma edição especial limitada, num exclusivo FNAC, autografada pelo artista. Tentador, muito tentador!

Duas reflexões me surgiram na sequência dessa mensagem. A primeira delas, o titulo da obra fono/videográfica: «O Mesmo de Sempre». A reflexão foi mais ou menos nos seguintes termos: «Ora, aí está um artista honesto. Assume aberta e francamente que não traz nada de novo: o mesmo de sempre. E daí? Quantos não se perpetuam em sequências de trabalhos que nada acrescentam de novo? Muitos o fazem e disfarçam, este tem a honestidade de o confessar. Boa Tony, os fãs apreciam um artista com caráter. Pena eu não ser fã, senão comprava!»

A segunda, e última, reflexão (convenhamos que para o artista em causa até já foram reflexões a mais), surgiu sob a forma de questionamento: «Julgava que uma empresa como a FNAC, que até tem um cartão de fidelização de clientes, pessoal e intransmissível, tinha uma política de publicidade direcionada. Mas, pelos vistos, enganei-me. Ou não me enganei? Se não me enganei, que diabo de produtos andei eu a comprar para agora receber esta proposta com o produto do Tony?» 


Com tais questionamentos, fica claro que continuo pouco esclarecido sobre a fórmula de sucesso da FNAC para a captação e fidelização de clientes: se, por um lado, no caso do Tony a mensagem eletrónica falhou redondamente, por outro lado, não esqueço que há uns anos funcionou na perfeição, pois foi precisamente por essa via que tive o meu primeiro contacto com a Carla Bruni. A intermediação da FNAC foi de tal forma eficiente que, num ápice, ela passou a invadir-me as noites com a sua voz quente e sensual e, em privado, fazer-me sentir Le Ciel Dans Une Chambre. Isso antes, muito antes do Nicolas Sarkozy lhe ter posto o olho em cima!

1 comentário:

  1. Cá para mim o Agente do Tony Carreira compra publicidade para o seu cliente.

    Cansa ver tantas vezes este senhor a aparecer em todo lado e a toda a hora...

    Saudades do Carlos Paião!!!

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