quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Três grandes desilusões

Não sei que poder mágico possui o número três, mas coisas verdadeiramente importantes acontecem com muita frequência aos trios: três desejos, três poderes, três reis magos, três mosqueteiros (mesmo sendo quatro....), santíssima trindade, ménage à trois, trilogias aos molhos! É inequívoco que existe algo de transcendente no número três. De um ponto de vista meramente matemático, no máximo do brilhantismo, consigo chegar à conclusão de que três é o primeiro primo ímpar. Sim, e daí? Tem que haver algo mais para lá da Matemática!

Querendo também eu aproveitar o enigmático simbolismo numeral, resolvi abordar o tema das grandes desilusões da vida em número de três. A primeira digna de registo ocorreu num chuvoso fim de tarde de Dezembro, aos sete anos de idade. Chovia de forma tão copiosa que a professora resolveu reter-nos na sala de aula mais alguns minutos além do tempo regulamentar. Para nos entreter, pediu-nos que falássemos sobre o Natal. Nem foi a revelação de que o Pai Natal não existe que me causou tão grande desilusão, mas a forma como o meu colega Baptista começou a abordagem: «Toda a gente sabe que o Pai Natal não existe». Pouco importa o que disse a seguir. O que realmente importa, a ponto de me marcar para sempre, foi a forma como assumiu que TODA a gente sabia. Toda a gente?! Eu não sabia... e nem desconfiava! Senti-me um tremendo idiota. Apesar da tenra idade, dificilmente voltei a sentir-me tão desiludido comigo mesmo. Como pude andar anos (não muitos, tinha só sete) a acreditar que aquela fugaz visão de algo escuro na chaminé, numa anterior madrugada de 25 de Dezembro, eram os pés do Pai Natal? No mínimo, devia ter desconfiado que pudesse haver remela no olho!

Depois dessa, muitas outras desilusões: amorosas, desportivas, profissionais, religiosas, de tudo um pouco, mas quase nenhuma que me venha à memória sem a árdua tarefa de ter que puxar por ela. É então, por volta dos meus trinta anos, que surge aquela que pode ser guindada ao mesmo patamar da desilusão provocada pelo Baptista. A expectativa era tão grande nos momentos que antecederam aquela minha primeira visita ao museu do Louvre que, mal entrei no museu, dirigi-me apressadamente para a sala onde estava exposta a Mona Lisa. Eu já devia saber que o quadro tinha apenas 77cm × 53cm, e assim ter evitado o primeiro impacto negativo. Mas o pior foi a inacessibilidade e a falta de ambiente para apreciar, frente-a-frente com a obra original, o sorriso enigmático da retratada, a posição das mãos, as pinceladas do Leonardo da Vinci. Aquele magote de japoneses que não arredava pé venceu-me de forma implacável e deitou por terra toda a minha expectativa de um momento de raro deleite artístico.

Quanto à terceira grande desilusão... Bem, aflorá-la é complicado. Tenho uma vaga ideia de que, entre as duas já citadas, o Veloso falhou um penalti que ditou uma derrota numa final da Liga dos Campeões. Mas essa levou tanto tempo a curar que continuo a preferir não entrar em detalhes.

2 comentários:

  1. nunca fui grande aluno a matemática... mas recordo-me de aprender que números primos são aqueles que são apenas divisiveis apenas por si mesmos ou pela unidade... e que por isso o 1 também é um número primo.
    mas o matemático é, neste caso, o escriba... por isso... calo-me

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  2. Caro justin case,
    Suponho que também aprendi assim no ensino secundário. Não é grave. Mas, a verdade, é que a unidade, por definição, não é um número primo.
    Saudações matemáticas.

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