Se dúvidas houvesse quanto à flagrante falta de diferença que os atinge, essas teriam ficado completamente dissipadas com as pseudo-negociações para o acordo sobre o orçamento de estado de 2011. Alguém negará que aquilo foi uma prova cabal de que o ambiente reinante entre esses partidos é do mais puro companheirismo e comunhão de ideias? Fingem zangar-se com base numa discrepância de 0,1%, amuam, são chamados pelo senhor professor e imediatamente fazem as pazes. E, para o quadro ficar completo, terminam abraçados numa foto de telemóvel. Que linda amizade!
Até aqui coincidia a generalidade dos comentários dos meus ocasionais companheiros de viagem. A coisa divergiu no ponto da conclusão. O meu espírito inconformado jamais poderia admitir que são «todos iguais»! Menos ainda admitiria que, finda a governação do sem dêzinho, a alternativa será votar de novo no dêzinho. Todos iguais? Quais todos? Temos alternado apenas entre dois (e meio) que, esses sim, são todos iguais. Mas, não esqueço: nas últimas eleições legislativas contei as opções no boletim de voto e, posso assegurar, eram aproximadamente 14! (é ponto de exclamação, não é 14 factorial, sem exageros...).
Para não ter que me imiscuir em conversa alheia, resolvi apear-me em Gaia e caminhar até ao Porto (a aragem vinda do mar e a vista panorâmica da ponte D. Luís costumam fazer-me bem nestas ocasiões). Já mais arejado e consciente dos problemas nacionais, surgiram-me dúvidas sobre qual poderia ser o verdadeiro problema dos meus ex-companheiros de viagem. Talvez não fosse um problema de consciência política, mas um problema de matemática, ou até de iliteracia: será que não sabem contar até mais do que dois (e meio)? Será que não sabem interpretar as siglas?
Revoltei-me comigo mesmo: devia ter interferido na conversa alheia e alertado que há mais do que os tais dois (e meio) partidos todos iguais. Podia até ter tentado ajudar na hipotética questão de iliteracia, sugerindo votarem num qualquer partido que não tenha a letra S na sigla (curiosa e ironicamente, são partidos com o tal S, de aparente preocupação com o social, que nos têm dado cabo da sociedade). Cheguei a casa arrependido pela minha saída precipitada daquela carruagem. Adormeci de consciência pesada e acordei três vezes durante a noite. Com pesadelos horríveis.

Bem visto. As pessoas queixam-se de falta de alternativas, ignorando que o boletim de voto costuma ter mais de dez partidos. Ainda por cima, como acham não haver alternativas, nem se dão ao trabalho de ir votar!
ResponderEliminariliteracia? não é redundância?&&&&
ResponderEliminaralternativas significa projectos e poder
ausência de qualquer destes não é alternativa
se os homens pretendem ganhar o céu
sem sacrifício sem projectos veros ou falsos
sem esforço e só com vozearia
estas interrogações oratórias do povo
revelam que este tem mais siso
o certo é que a salvação no povo dá-lhes cuidados naqueles a quem podem escolher como amos
aos outros que amos são tanto se lhes dá
num compreende
esperança e resignação só existem naqueles que não se exilam das gentes
e compreensão ...
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ResponderEliminarobviamente num necessito
para quê
isto é só um jogo com seres inexistentes
o space invaders é mais chato
PSD: Pois Somos Diferentes...
ResponderEliminarPS: Pois Somos...
CDS:Certos De Sermos...
PC: Pouco Certos...
BE: Bamos Estragar....
O nosso problema não é os ésses mas sim os éfes...
ResponderEliminarCom a demissão do governo saímos da fritadeira para entrarmos no fogo (segundo Gerónimo de Sousa), antes do 25/04 era Futebol, Fátima, Fado. O meu gato, quando o chateiam diz f...
Para a próxima relatas os pesadelos, certo? é que o pesadelo do PS e PSD está gasto e sem ponta de interesse. principalmente por já ter passado um ano sobre o post :))
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