sábado, 5 de março de 2011

A lei de Newton

Além de uma assinalável produção de leis nacionais, os portugueses estão também sujeitos a leis europeias, leis internacionais e leis universais. Se as coisas neste país muitas vezes não correm de feição, nem sempre é por falta de leis adequadas, mas sim por falta de aplicação das mesmas. Uma das leis que com alguma insistência se viola — ou ignora — é a lei da Gravitação Universal de Newton. Essa que, em particular, diz que cair é para baixo. Estaria Newton ao corrente das subtilezas da realidade portuguesa? Seria a realidade portuguesa no tempo de Newton comparável ao que é agora? Estas são questões difíceis de ser respondidas por alguém com o meu nível de conhecimento histórico e que deixo à consideração das autoridades na área.

Não é preciso pensar muito — nem ser muito brilhante na tarefa — para que facilmente se chegue à conclusão de que o país tem muita gente a cair para cima. Eles são os Coelhos, os Loureiros, os Varas e muitos outros que todos bem conhecemos. Com maior ou menor visibilidade eles andam por aí. Caso interessante é o do Fernando Gomes. Esse que há uns anos era presidente da Câmara do Porto e, não resistindo a um tentador convite para integrar o governo presidido por António Guterres, abandonou a câmara como se abandona um farrapo velho. Para azar seu — e mais ainda de muitos portugueses —, a sua ação como Ministro Adjunto e Ministro da Administração Interna foi uma lástima. Entre meter os pés pelas mãos e proferir declarações sem pés nem cabeça, a cabeça do ministro acabou invetivalemente por rolar. Contudo, saiu de Lisboa com o "rabinho entre as pernas" e entrou no Porto a "cantar de galo": «O novo candidato do partido à Câmara do Porto sou eu!» As gentes do Porto, que em geral até nem são muito favoráveis à cor, não estiveram com meias medidas e mostraram-lhe o merecido cartão vermelho. Que se esperava a seguir? Mais uma vez o rabinho entre as pernas e a queda de mais um degrau? Não. Houve queda para cima: foi promovido a administrador da GALP, onde até hoje permanece com um salário sei-lá-quantas vezes — no mínimo muitas — melhor do que em qualquer outro emprego que tenha tido antes.

Por falar em Câmara do Porto  e ainda a respeito da lei de Newton. Espanta-me que essa câmara contrate empresas onde trabalham engenheiros sem um mínimo de conhecimentos de Física. Por mínimo, entenda-se o conhecimento da supracitada lei de Newton. Imaginemos que há uma requalificação na zona da rotunda da Boavista e lhes é destinado supervisionar o escoamento das águas pluviais. Onde será natural colocar os bueiros? Em pontos mais baixos da valeta? Não. Os engenheiros que supervisionam essas obras têm uma predileção especial por deixá-los nuns altinhos. Digamos que com o declive certo, mas a descer na direção não recomendada para que a água escape de acordo com a lei de Newton. Dá ideia que os bueiros são lá colocados para contemplarem a água nos inevitáveis lagos que se formam em dias de chuva. O caso é mais desagradável em zonas onde o material usado para a impermeabilização dos solos (estranhamente, às vezes parece ser esse um dos objetivos dos passeios) é o alcatrão.

Não há escapatória através dos bueiros para as águas pluviais na zona da Boavista, mas nem tudo está perdido. E nem excluo a possibilidade desses engenheiros terem posto em prática algum conhecimento de Física, do tal mínimo que se exige a tais profissionais: o sol aquece a água e esta acaba inevitavelmente por se evaporar. O problema é que isso demoooora!....

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