quarta-feira, 29 de junho de 2011

Abaixo de cão


Não pretendendo lançar dúvidas sobre as qualidades dos meus leitores masculinos — e menos ainda querendo diminuir-lhes os índices de autoconfiança —, não deixo contudo de lembrá-los que na vida é muito importante termos a noção exata do lugar que ocupamos e até onde chegam realmente as nossas capacidades. Sem querer expor demasiado a minha fraca aptidão para filosofar, diria apenas que só com a noção exata dos limites podemos levar mais longe a transcendência.

Por mais que se sinta dotado para a arte da sedução numa primeira abordagem, não serão poucas as vezes em que sente necessidade de se esforçar para conseguir atingir patamares de qualidade mais elevados. É óbvio que a abordagem certa depende muito do ambiente e os métodos variam muito com as circunstâncias. Num bar com música alta, por exemplo, numa primeira fase poderá relegar para segundo plano o palavreado e a conversa intelectualmente cativante, necessitando de maior investimento no sorriso, na expressão facial, na forma como pronuncia as palavras — quaisquer que elas sejam —, no gingado do corpo, na subtileza do beijo ou até mesmo na intensidade do amasso. No entanto, se está de olho naquela vizinha com a qual se cruza quase de manhã ao sair de casa, aí a questão já é mais delicada. Não se esqueça que a essa hora da manhã nem você nem ela estarão alcoolizados. Em princípio. Além da abordagem certa, é necessário também saber levantar e manter aceso o arco da conversa. A não ser que ela esteja mais desesperada do que você... Mas, em tal caso, você também vai achar que está perante uma mulher fácil e o interesse pode murchar. Pode. Depende. O certo é que, em geral, esta situação exige melhor desempenho numa primeira abordagem.

Só para que tenha uma noção mais exata daquilo que realmente representa, levanto a seguinte questão: que lugar pensa que ocupa na hierarquia animal em termos de poder de sedução? Não perca muito tempo em busca da resposta, pois eu esclareço já: abaixo de cão.

Se tem cão, sabe perfeitamente do que eu estou a falar. Se não tem, compre, alugue ou peça um emprestado para fazer o teste. Verá como o animal facilita a sua tarefa numa primeira abordagem. Nem precisa de treiná-lo para nenhum comportamento especial, pois na presença do cão elas dão-lhe uma abertura que jamais dariam se você estivesse sozinho — o sexo feminino é particularmente sensível a essa característica muito canina chamada fidelidade. Mas não se empolgue muito com os resultados. Expressões do tipo «que lindo», «que fofo» ou «posso pegar?» são, em princípio, dirigidas ao cão!

5 comentários:

  1. Pois... não concordo na totalidade! Ora tente lá a proeza com um pitbul. Ou um Roteweiller! Isto meu caro é como em tudo: há cães e cães! Há homens e homens.
    Mané Niza

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  2. Olá se recorda de mim? É o Magno Oliveira do Blog Folhetim Cultural, há muito tempo não lhe visito e eu também a ti, como anda seu blog? O Folhetim Cultural a cada dia crescendo. Agora temos espaço para contos, poesias, crônicas, charges e muitas outras coisas que espero que goste.

    Blog: informativofolhetimcultural.blogspot.com
    E-mail: folhetimcultural@hotmail.com
    o Blog agora tem até twitter: twitter.com/folhetimcultura ou @folhetimcultura

    Espero por ti abraços!

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  3. É verdade que se entra mais facilmente em contacto com outras pessoas tendo um cão, sei-o por experiência própria. Desconhecidos abordam-nos e eu, como mulher, nem fico ofendida por falarem assim comigo, sem mais nem menos.

    Conselhos para os homens:
    Rotweiller e Pitbull não ajudam, não senhor. E um terrier fofinho como o meu atrai, principalmente, crianças (um miúdo até me perguntou, uma vez, se eu lhe queria vender a minha Lucy). Mulheres jovens e atraentes costumam gostar muito de Labrador ou Golden Retriever ;)

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  4. Conheço bem quem tenha tido um boa experiência com cocker spaniel ;)

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