quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Só no trânsito...

— Pai.
— Que foi?
— Por que é que levantaste aquele dedo?
— Aquele dedo? Qual dedo?!
— O dedo do meio.
— O dedo do meio? Eu levantei o dedo do meio?!
— Sim.
— Não. Eu levantei a mão toda!
— Hum...
— Verdade!
— Sim, mas mais o dedo do meio.
— Mero acaso.
— Então por que é que levantaste a mão toda mais o dedo do meio?
— Ora, porque conhecia o senhor do outro carro.
— Ah... então foi por isso que ele buzinou!
— Estás a ver?
— Hoje estás a encontrar muitos senhores conhecidos.
— É verdade.
— Logo hoje que vais com mais pressa...
— É... muita gente conhecida só atrapalha.
— E por que é que disseste aquela palavra?
— Aquela palavra? Qual palavra? Eu disse alguma palavra?!
— Disseste. Duas... aliás... três!
— Ia a cantar, não?
— Não. Disseste só três palavras!
— Se calhar só sabia o refrão.
— Hum...
— Alguma dessas canções minimalistas.
— Não me venhas com cantigas, tá?
— Tá, tá bom.
— Então por que é que disseste aquelas três palavras?
— Mas quais palavras?
— Uma delas eu não posso dizer.
— Um palavrão?!
— Sim!
— Qual?
— Aquele sobre a mãe do senhor do outro carro.
— Ah, meu filho, o pai não diz dessas coisas!
— Não, não...
— Diz?!
— Só no trânsito...

3 comentários:

  1. Que criança tão amorosa... e esperta!
    Gostei. Ficou muito doce o diálogo.

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  2. Pois... É difícil saber educar e servir de exemplo no trânsito caótico de hoje em dia...

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  3. Quando o filho fizer a mesma viagem com o pai mas de metro, irá ver que o pai não conhece assim tanta gente... :-)

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