quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Entre a loucura do telefone e os encantos da powerbox

«Insanidade: fazer a mesma coisa repetidas vezes 
e esperar resultados distintos»
A. Einstein

O casal encontra-se confortavelmente instalado no sofá da sala a explorar os inúmeros encantos da powerbox, quando o telefone toca. Ele levanta-se e vai atender. Regressando ao sofá – e aos encantos da powerbox – é interrogado por ela:
– Quem era?
– Ninguém... foi engano.
Volvidos alguns minutos o telefone volta a tocar. Ele levanta-se e, mais uma vez, vai atender. No retorno ao sofá – e aos encantos da powerbox – é novamente questionado por ela:
– Quem era?
– O mesmo de há pouco. Procura um tal de Dr. Amorim.
– Perguntaste-lhe para que número estava a ligar?
– Sim.
– E então?
– Disse o nosso.
– Estranho...
Não demorou muito para o telefone voltar a tocar. Ele levanta-se pela terceira vez e, com cara de poucos amigos, vai atender. Quando regressa ao sofá, nem espera que ela o questione para lhe dizer com visível irritação:
– Que fulano louco! Insiste em ligar para cá à procura do tal Dr. Amorim.
– Muito louco...
Já sem ambiente para explorarem os encantos da powerbox, a atenção do casal fica agora centrada nos enigmáticos telefonemas. E o telefone toca pela quarta vez. Desta feita, ela levanta-se primeiro e vai atender. Na volta confirma:
– O mesmo. Procurando o Dr. Amorim.
– Que loucura! Melhor desligar o telefone.
– Deixa, pode ser que agora não ligue mais.
– OK.
Os minutos passam, o telefone não volta a tocar e eles podem de novo desfrutar dos encantos da powerbox. Aos poucos, a serenidade do casal começa a ser ameçada por uma certa inquietação dele. Notando-o inquieto, ela pergunta:
– Que tens tu?
– Estou intrigado...
– Com quê?
– Com a história dos telefonemas.
– Imaginei...
– Como é que conseguiste despachá-lo?
– Fácil: já atendi dizendo que era do consultório do Dr. Amorim, especialista em psiquiatria.
– Que disse ele?
– Que precisava de falar com o Dr. Amorim.
– E como é que o despachaste?
– Disse que o Dr. Amorim tinha ido de férias e só regressa no final do mês.

6 comentários:

  1. Esta crônica está recheada de sutilezas... gostei!

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  2. Para grandes males...

    Mas tenho a sensação que me escapa alguma coisa por não saber o que é uma "powerbox"...

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  3. A powerbox é uma caixa descodificadora do sinal de TV por cabo. De acordo com as empresas que as vendem, algo sem a qual família nenhuma hoje em dia pode ser feliz...

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  4. achei a história parva demais, exilado. Peço desculpa, não quis ofender. mas é muito sem graça.

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    Respostas
    1. Sinta-se à vontade para dizer tudo o que lhe vai na alma! Se eu achar inconveniente, boicoto :)

      A parvoíce humana é, em grande parte, a motivação para a existência deste blogue. Parece-me legítimo que por vezes o autor resolva ilustrá-la com os seus próprios textos!

      Mas olhe que o/a "rapa do tacho" notou-lhe algumas subtilezas...

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