quarta-feira, 13 de junho de 2012

A anatomia do Borges

«O que é um cínico? 
Um homem que sabe o preço de tudo e o valor de nada»
O. Wilde

Houve um tempo na minha juventude em que me vaticinaram um futuro (brilhante, presumo eu...) na medicina. E eu não dizia que não. Até ao momento em que o meu coração começou a puxar-me de forma arrebatadora para a Matemática e eu fiquei sem outra opção que não fosse segui-lo. Apesar de jovem, já desconfiava que o único jeito de buscar a felicidade fosse deixar o coração solto e correr atrás. Daí para a frente o meu futuro na medicina resumiu-se a umas (pouco brilhantes) passagens por consultórios médicos e hospitais. Sempre como paciente, mesmo quando acompanhando alguém, pois a frequência desses lugares exige sempre muita paciência.

Destarte, os meus conhecimentos médicos nunca foram muito além dos básicos para um cidadão comum. Sei, por exemplo, que o corpo humano é composto por vários aparelhos, sendo um deles o aparelho digestivo. Sei também que, na ordem natural das coisas, esse aparelho é composto por um primeiro órgão que se chama boca e um último que se chama ânus. Sei ainda que pelo meio há outros órgãos que por vezes me dão problemas que eu resolvo facilmente com uns chazinhos e fármacos ligeiros de ter por casa. Creio ser este o quadro geral de alguém sem patologias de maior.

Mas há quem sofra de patologias terríveis. Um dos que ultimamente me tem deixado desconfiado é o Borges. E, se aquilo que desconfio se confirmar como verdade, é uma grande pena. Quando a vítima de uma patologia é um irrelevante do ponto de vista financeiro, a gente até ignora facilmente, pois no infortúnio de uma existência pobre há sempre lugar para mais um mal. No entanto, se a vítima é um sujeito da estirpe do Borges, há uma tendência natural para desenvolvermos a compaixão. O Borges não, coitado! Com uma patologia dessas ele não consegue encher a pança — um órgão do aparelho digestivo que ele muito deve prezar — nos lugares que o seu salário justifica. Com uma patologia dessas o Borges não pode ir aos restaurantes que cavalheiros de negócios gostam de partilhar com políticos ilustres — passe a redundância terminológica.

Que fique claro que não passa tudo isto de uma mera desconfiança minha, cidadão com nível básico em conhecimento médico. Agradeço até aos meus leitores que frequentam lugares como o Eleven — ou casa de pasto similar — que me esclareçam (exiladonomundo@gmail.com): já viram o Borges por lá? Se sim, por qual órgão costuma comer? É que, levando em conta as imundícies que ultimamente lhe têm saído pela boca, sou levado a suspeitar que ele sofra de uma terrível inversão nas funções dos órgãos extremos do seu aparelho digestivo.

7 comentários:

  1. Parece que o Cadilhe sofre da mesma patologia...

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  2. Exilado, não sei onde e o que é o Eleven, mas a inversão, a verificar.se, fará o senhor doutor Borges meter a cabeça na pia. De vez em quando, quero dizer;

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    1. O Eleven é um restaurante chic da capital!

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  3. Dad a magreza repentin o Borges deve sofrer de doença prolongada, da qual procavelmente morrerá em breve.

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    1. Não! Acho que é de fazer o que tanto apregoa: apertar o cinto.

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    2. E quem fez o teu coração seguir para a Matemática?

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