quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tudo termina em pizza

A expressão surgiu no Brasil, nos anos 60, após uma acirrada disputa pelo poder no clube mais representativo da comunidade italiana em São Paulo: o Palmeiras. Ao que consta, a disputa terminou de forma surpreendente, através de um acordo entre as duas partes litigantes, com direito a comemoração numa pizzaria. No dia seguinte um jornal noticiou que tudo terminou em pizza.

Hoje em dia a expressão é de uso corrente no Brasil, em especial para designar a forma como terminam as acusações de falcatruas entre a classe política que, quase invariavelmente, também terminam em pizza.

A pizza é um dos símbolos culinários da cidade de São Paulo, segundo alguns paulistas o lugar onde se come as melhores pizzas do mundo. Pode ser. Mas duvido. Não duvido que seja fácil encontrar-se por esse mundo fora excelentes intérpretes da cozinha italiana, mas nos restaurantes da Itália há sempre qualquer coisa a mais. Refiro-me àqueles detalhes que entram pelas vistas, narinas e orelhas e que nos fazem sentir aquele gostinho muito especial.

Começa pelo cardápio, que é quase sempre extenso até no número de categorias. É difícil encontrar restaurante italiano — na Itália! — que não tenha muitas ofertas em antepastos, primeiros pratos, segundos pratos, contornos, saladas, doces e, no caso do restaurante ter pizzaiolo, pizzas. As saladas são um prato com identidade própria, não sendo consideradas um mero acompanhamento, ao passo que o prato principal normalmente necessita de ser acompanhado por algum contorno.

Devo admitir que nas minhas primeiras visitas à Itália me sentia relativamente perdido perante tanta e tão variada oferta. Como conjugá-las e, principalmente, como conseguir manter a minha linha esbelta eram os grandes dramas. Para simplificar, a minha escolha quase sempre terminava em pizza.

Nos tempos que correm já consigo obter bons resultados nas escolhas, mesmo quando invisto nas outras componentes do cardápio. No entanto, as pizzas continuam a ser o meu alvo predileto. Encontram-se normalmente catalogadas numa extensa lista com variados sabores e ingredientes, mas sem os exageros do Brasil, onde ingredientes como a carne seca, o frango, a banana, o chocolate ou a goiabada terminam em pizza, ou a tradição estadunidense disseminada pelo mundo, onde até o ketchup termina em pizza.

Julgava eu que a Itália ainda era o último reduto dos bons costumes na tradição pizzeira, mas nesta minha última estadia fiquei com sérias dúvidas quanto a isso. E não surge a minha desconfiança com base em alguma avaliação fortuita de uma pizzaria de inspiração americana, pois dessas por cá ainda não há. Surge com base em alguns restaurantes tradicionais de pequenas cidades da região de Friuli-Venezia Giulia — desconfio que o fenómeno possa ser mais geral —, onde já por diversas vezes me deparei com pizzas de... imagine-se... batata frita! Não só as confecionam, como ainda as anunciam com destaque e honra de entrada do restaurante. É mesmo caso para dizer que tudo termina em pizza. Até a batata frita!

7 comentários:

  1. Pizza de batata frita?? Acho que não ficaria fã...

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  2. Quando vi a imagem no meu estômago houve uma pequena revolta! Só de olhar! Acho que até o ouvi "Nem penses!". E não, nem penso. Não só pelo meu estômago, por quem tenho um grande apreço, mas sobretudo porque gosto de boa cozinha, e isto não se parece com nada disso.
    Gosto de sabores bem casados e bem enamorados. Gosto que o meu palato se entusiasme por uma trinca com o olhar, o cheiro e, porque não, a audição.
    Por acaso, num restaurante Italiano as minhas escolhas não recaem em pizza, isso só acontece se a ementa não me seduzir de todo.

    Parece que esse hábito Brasileiro, de terminar tudo em pizza, foi importado para Portugal. Ou seria ao contrário?

    Boa semana

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    1. Dizem que a pizza de batata frita é coisa para agradar aos "bambini". Apesar disso, a culinária italiana continua bem e recomenda-se!

      Portugal e o Brasil estão muito parecidos quanto a isso. Em Portugal não termina em pizza, mas tudo fica em águas de bacalhau.

      Boa semana!

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  3. Nunca estive em Itália, mas, na Alemanha, também há pizzas para dar e vender (e italianos, muitos). Aprecia-se, igualmente, a pizza americana, mas eu nunca provei, nem tenho intenção de o fazer.
    Faço pizza em casa, ou melhor, faço algo baseado no princípio da pizza, todas as semanas, porque gostamos muito. Limito-me a pôr, em cima da massa, tomate (fresco, cortado aos bocadinhos), cebola, pimento, presunto magro aos cubinhos (pouco) e muitos, muitos cogumelos (adoro cogumelos, todas as espécies - comestíveis, claro). Espalho, por cima, uma mistura de sal e ervas (criada para salada de tomate, mozzarela e basílico), colorau, pimenta e alho. Levo ao forno e, só a 5 minutos do fim, espalho o queijo, para que este derreta, mas não se queime.
    Et voilà, pizza à minha moda ;)

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    1. Cristina, faltou o principal: como fazer a massa? Já tentei, mas... para esquecer! O manual de instruções da minha panificadora doméstica diz que ela serve para isso, mas ainda não a testei para isso.

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  4. Desculpa, mas também não te posso ajudar, nesse caso. Compro uma mistura já pronta, só tenho de lhe juntar água e amassar, o máximo que pode acontecer é ficar um pouco pegajosa e ter de lhe pôr mais um bocadinho de farinha. Por isso, não te sei dizer quais as quantidades de farinha, fermento e água se devem usar (acho que são estes os ingredientes, tudo depende, precisamente, das quantidades).

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