quarta-feira, 11 de julho de 2012

O bosão de Higgs



«In physics, you don't have to go around 
making trouble for yourself — nature does it for you» 
Frank Wilczek

Nos últimos dias a Física tem vindo a receber atenção redobrada por causa da provável (ou talvez mais do isso) descoberta do bosão de Higgs. Que o mundo lhe dê o devido crédito e rejubile pela descoberta eu até entendo, não entendo é que em Portugal se dê tanto destaque a um fenómeno que por aqui já era sobejamente conhecido. E digo mais: quanto a fenómenos físicos raros temos muitas outras coisas que o resto do mundo ainda nem sequer desconfia.

De acordo com a teoria, o bosão de Higgs tem a capacidade de fornecer massa às outras partículas. Mas onde é que está a novidade? Em Portugal temos, de longa data, alguns milhões de bosões a fornecer massa para umas quantas instituições particulares. E temos mais. Temos algo que físico nenhum ainda conjeturou: o antibosão. Enquanto que o bosão fornece a massa, o antibosão tem a capacidade de fazê-la desaparecer. Não temos tantos antibosões como bosões — o antibosão vem de uma casta mais privilegiada —, mas sempre vamos tendo alguns notáveis. Dias Loureiro, Oliveira e Costa e João Rendeiro são alguns dos últimos a ser descobertos.

E as novidades não se ficam por aqui. Na Física existe o princípio da incerteza de Heisenberg. É bom conhecê-lo, é bom saber reconhecê-lo, mas não deixa de ser um princípio que atesta uma certa incapacidade. Não seria melhor um princípio que funcionasse pela positiva? Pois nós temos. E há anos que nos rege. Primeiro como primeiro-ministro, agora como presidente da república, Cavaco pauta toda a sua ação com base no princípio da certeza de Silva: eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas.

Na Física aceita-se o princípio da conservação da energia. Como o próprio nome indica, trata-se de um princípio bastante conservador. Nós temos um princípio mais expansionista. Talvez fruto de um passado de grandes conquistas, por cá criam-se constantemente condições favoráveis para o princípio da expansão da Energia de Portugal. Começou como uma mera companhia elétrica de um país periférico da Europa, mas com base na mera exploração (até ao tutano) de um mercado relativamente pequeno já tem participações importantes em países como o Brasil ou os Estados Unidos. Expandiu tanto que até os chineses já a acham apetecível.

A última novidade deste país foi a introdução de um buraco negro na cena nacional. Quando historiadores daqui a uns anos se debruçarem sobre a história portuguesa neste período descobrirão algo muito surpreendente: uma constituição que, com maiores ou menores atropelos, vigorou até 2011 e voltará a vigorar apenas em 2013. Em 2012 tem um buraco negro. E não é um qualquer buraquito desprezível, pois tem o tamanho de dois salários para os funcionários públicos!

Os fenómenos físicos da realidade portuguesa são muitos e por demais evidentes, mas para não me tornar demasiado massudo — é suposto que bosões como eu forneçam massa, mas não macem muito — assinalo apenas mais um. Na Física as partículas subatómicas dividem-se em neutrões, protões e eletrões. Nós temos uma extra: o centrão. De lá emanam as forças partidárias que estão no cerne das tramoias que nos enredam todos os dias!

5 comentários:

  1. A mim o que me fascina é a física quântica. Sempre que posso, perco horas a ver os vídeos do Dr. Michiu Kaku no YouTube. Acho que o verdadeiro universo e a forma como o consciente trabalha, ainda estão por descobrir. Mas isto sou eu que sou um leigo na matéria, apesar de curioso.

    Cumprimentos Benfiquistas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É da curiosidade que nascem as grandes descobertas. Nunca a menospreze!
      Saudações benfiquistas.

      Eliminar