quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Oportunidades oportunísticas

O atual primeiro-ministro português disse há uns meses que o desemprego podia constituir uma excelente oportunidade para mudar de vida. E pode. Só não deixou claro se considerava a oportunidade excelente para aqueles que caíam no desemprego. Desconfio que não.

O facto não é novo. Os abutres, por exemplo, vêem numa carcaça uma excelente oportunidade para algo tão básico como a sua própria sobrevivência. Também os trágicos acontecimentos do 11 de setembro de 2001 constituíram uma excelente oportunidade para as entidades responsáveis pela gestão de aeroportos aumentarem de forma absurda as taxas aeroportuárias. Supostamente, por causa dos encargos inerentes a regras de segurança mais apertada.

Teoricamente aceitável. Quanto à prática, talvez eu não esteja a ver bem o problema — é até bastante provável que tenha uma mente demasiado maquiavélica—, mas sempre que transito em aeroportos fico com a sensação de que as tais regras de segurança mais apertadas são muito incómodas — e onerosas — para passageiros inofensivos e continuam a ser facilmente contornáveis por sujeitos mal intencionados.

Ora vejamos. Após o 11 de setembro ficou interditado o transporte na bagagem de mão de objetos que possam constituir ameaça à integridade física da tripulação. Em particular, canivetes, tesouras, corta-unhas e limas estão liminarmente proibidos. Contudo, apesar de uma garrafa de vidro bem quebrada e segura pelo gargalo poder constituir uma arma mais eficiente do qualquer uma das armas brancas que eu acabei de citar, elas continuam a ser vendidas em qualquer aeroporto que se preze. Sim, eu sei que o negócio das bebidas e perfumes em aeroportos é muito rentável e não deve ser afetado. Deve-se zelar pela segurança, mas sem prejudicar a atividade económica!

Nestas questões de controle aeroportuário, assim como em qualquer sistema de regras muito restritivas, dependendo da rigidez de quem controla, podem facilmente surgir situações absurdas. Uma das que presenciei foi no aeroporto de Lisboa, no rastreio da bagagem de mão para um embarque rumo ao Porto. Passou-se em meados da década passada, portanto, já uns anos depois do traumático — especialmente para os noviorquinos — 11 de setembro. Uns metros à minha frente, uma senhora mostrava-se indignada com um segurança totalmente inflexível: a senhora não podia embarcar com um pequeno pote — talvez acima dos 100ml permitidos para líquidos — de creme das mãos. Não bastava à senhora que aquilo fosse considerado líquido perigoso como, dizia ela, «venho de Nova Iorque e lá ninguém implicou com isto!»

4 comentários:

  1. Ja dizia o grande treinador de futebol Toni: a culpa é do Ehsan?

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  2. Ja dizia o grande treinador de futebol Toni: a culpa é do Ehsan?

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  3. Também já tive que deixar uma bisnaga de creme de mãos no aeroporto de Hamburgo, por ter lugar para 125 ml de creme. E de nada adiantou dizer que já a tinha usado algumas vezes...

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    1. A arbitrariedade nesses negócios ainda é o que mais irrita!

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