Um olhar crítico sobre a realidade, assente numa visão relativamente tendenciosa e numa mente algo imaginativa
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
A origem
Talvez para tentar cumprir recomendações pedagógicas que apelam a um ensino mais centrado no aluno, a professora resolveu começar por perguntar aos seus alunos que ideia tinham sobre a origem da espécie humana. O primeiro a intervir foi o Pedro Afonso:
— O meu pai disse-me que descendemos do macaco.
— Fala pela tua família! — contrapôs imediatamente o Carlitos.
— A tua não?! Se calhar descendem das galinhas... — ripostou o Pedro Afonso.
Perante isto, a professora sentiu necessidade de intervir:
— Parem, meninos! — e dirigiu-se novamente à turma: — Alguém concorda com o Pedro Afonso?
— Se calhar são só as pessoas mais peludas... — observou a Tânia.
— É... só os homens... — interveio novamente o Carlitos, em tom de escárnio.
— Os homens e as mulheres! — acrescentou o Pedro Afonso.
— As mulheres?! — perguntou admirada a Tânia.
— Sim, as mulheres depilam-se! — esclareceu o Pedro Afonso.
— Pois pois... mas é só em certas partes... — acrescentou o Carlitos.
Temendo que a conversa entrasse em maiores detalhes sobre temas pouco recomendáveis, a professora resolveu pôr cobro ao diálogo:
— Está bom, já basta desta conversa!
A professora preparava-se para falar-lhes sobre o darwinismo quando reparou que ao fundo da sala se encontrava a Verinha com o braço no ar.
— Fala, Verinha.
— A bíblia diz que descendemos de Adão e Eva.
A professora sabia que esta teoria iria surgir — achou até estranho que não tivesse surgido antes —, e tentou avançar com uma explicação para a verdade dogmática incutida na aluna:
— Trata-se apenas de uma imagem para o poder de Deus sobre a espécie humana.
— Mas não é assim que diz a bíblia!
— Eu sei, Verinha. Mas a bíblia não é para ser interpretada à letra.
— Então é para ser interpretada como?
Pressentindo que não iria ser fácil levar a Verinha a uma leitura menos estrita da bíblia, a professora tentou então convencê-la através da inconsistência:
— Vê bem, Verinha: Adão e Eva tiveram dois filhos.
— Sim.
— Dois meninos.
— Caim e Abel.
— E depois?
— Depois o quê, professora?
— Meninos não casavam com meninos...
— Pois não.
— Então como tiveram filhos?
— Ah... se calhar casavam com macacas!
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Evea culpa
Sendo eu um assumido adepto de boa ponderação sobre as grandes questões, dei por mim a tentar decifrar este enigma nacional de distribuição da culpa. Excetuando a guerra Benfica-Porto — nesse caso a culpa é claramente do Pinto da Costa —, em todos os outros casos, fui recuando até tempos imemoriais. Dos erros da atualidade passei aos erros cometidos no processo de adesão à CEE, logo fui remetido ao problemático período do pós 25 de Abril e, num ápice, à ditadura salazarista. Essa foi consequência do conturbado período da primeira república que, como é fácil de adivinhar, tem os seus problemas com raízes na monarquia. Da monarquia parlamentar passei à absolutista e, recuando pelas três dinastias, fui até ao reino de Leão, transportando a culpa também por árabes, alanos, suevos, vândalos, visigodos, romanos — memorizem este nome, voltarei a eles —, lusitanos, celtas, cartagineses, gregos, fenícios e muitos outros povos que por aqui andaram, passei pelo homo sapiens, homo neanderthalensis e, após uma série de outros homos — todos com agá —, imagine-se onde fui parar. Que coisa incrível! Alguém adivinha? Essa mesmo: Eva!
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