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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Bolero de Ravel

Se é verdade que a paixão intensa por diferentes clubes de futebol pode transformar alguns machos da espécie humana — claramente, parece-me ser mal que ataca apenas os machos — em autênticos inimigos mortais, não é menos verdade que a paixão por um mesmo clube pode ser fator de saudável convívio e integração social. Que me perdoem as mulheres por tal comparação, mas diria mesmo que o comportamento entre homens por causa da paixão por um clube se encontra nos antípodas do seu comportamento por causa da paixão por uma mulher: sendo a partilha algo muito apreciado no primeiro caso, salvo em eventuais exceções de gosto swingueiro, dificilmente o será no segundo.

Ninguém duvide que foi precisamente essa partilha da paixão por um mesmo clube — de elevado quilate, diga-se em abono da verdade — fator preponderante — e essencialmente único — para que o Gonçalo Luís e o Quim tivessem conseguido manter fortes os laços de amizade que os uniram desde a infância. A vida transformou o Gonçalo Luís num homem de sucesso na alta finança e o Quim em herdeiro natural da modesta mercearia do pai. De comum entre eles sobrou apenas um profundo amor pelo Benfica. Os dribles do Chalana, as arrancadas do Isaías, a geometria do Rui Costa ou a magia do Aimar foram, ao longo dos tempos, interpretados e descritos de forma quase coincidente por esses dois amigos de recursos vocabulares e intelectuais tão distintos.

O Estádio da Luz era o lugar onde melhor se entendiam. E onde, de longa data, iam com muita frequência juntos. Sempre no carro do Gonçalo Luís. Numa dessas deslocações para o estádio o rádio ia sintonizado numa dessas emissoras onde passa regularmente música clássica — acho que só há uma e chama-se Antena 2. Em dado momento começou a tocar o Bolero de Ravel.
— Um filme do caraças — diz o Quim.
O Gonçalo Luís estranhou que pudessem estabelecer conversa através do cinema. Ainda menos tendo como intermediária a música clássica. Mas não deixou de responder:
— Sim, sem dúvida, um grande filme!
— Quantos anos?
— Tínhamos uns 15, não?
— Cena espetacular com esta música!
— É, o final é espetacular.
— Final?!
— Sim, a cena da dança e o grande plano sobre a cidade.
— Cidade? Qual cidade?!
— Paris!
— Paris?!
— Sim, a capital da França.
— Eu sei que Paris é a capital da França, pá!
— Mas a cena não é em Paris?
— Não, é na cama!
— Na cama?!
— Sim. Nunca me esqueci. Foi um dos filmes da minha vida durante cinco dias. E só deixou de ser depois que a cassete encravou no leitor de vídeo.
— Estou intrigado. De que filme estás a falar?
— Daquele... com aquela gaja... a Boa Derek, não te lembras?
— Ah... esse filme: «10 - Uma Mulher de Sonho»!
— Isso!
— Não, eu estava a falar de «Uns e os Outros», do Claude Lelouch.
— Esse não vi... é bom?
— Muito. Mas demasiado longo e com pouca ação para o teu gosto.
— Ah...

Não foi ainda esta vez que o Gonçalo Luís e o Quim encontraram outros pontos de contacto que lhes permitisse reforçar a já longa amizade entre eles. O saudável convívio entre os dois continuaria a ser alimentado exclusivamente pela intensa paixão desportiva em comum.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A relíquia

"Apenas homens excecionalmente racionais 
podem dar-se ao luxo de ser absurdos"
Allan Goldfein

Até hoje, a única vez que a dona Amélia conheceu o seu marido completamente irreconhecível aconteceu há mais de 30 anos num estádio de futebol. Jamais se esqueceu de um sujeito vestido de preto, vítima dos mais vis impropérios do senhor Raimundo e seus companheiros. A julgar pela forma como se dirigiam a ele, era filho de uma mãe com profissão nada honrada e casado com uma mulher de comportamento muito pouco digno.

Terminado o jogo, o senhor Raimundo voltou a ser o mesmo homem calmo, ponderado e educado que todos — especialmente a dona Amélia — muito apreciavam. A transformação durante aquelas quase duas horas dentro do estádio foi de tal forma radical que a dona Amélia jurou nunca mais acompanhá-lo a tal antro de desabrochamento do lado mais animalesco da espécie humana. Preferia não saber o que por lá se passava e fingir que não conhecera essa faceta do seu marido.

Mas que diabo teria acontecido para que o senhor Raimundo fosse hoje o grande motivo de alvoroço naquele prédio? «Está demitida, está demitida!», era a frase que a dona Amélia ouvia ininterruptamente desde que entrara no prédio. Chegando ao seu apartamento, o volume dos berros elevava-se a um ponto quase intolerável: «está demitida, está demitida!»

— Que se passa, Raimundo?
— Ainda perguntas o que se passa?!
— Naturalmente.
— Que instruções deste à Matilde antes de sair de casa?
— Disse-lhe para lavar uma roupa e preparar sopa para o jantar.
— Roupa? Qual roupa?!
— Ora, Raimundo, umas peças de verão. Coisas para levarmos na viagem.
— Peças? Quais peças?!
— Vestidos, calções, polos...
— Pois, polos...
— Roupas de verão que estavam na parte de cima do roupeiro.
— Só essas?
— Sim, claro.
— Então vai ao varal!

A dona Amélia foi.

E voltou sem palavras. Viu no varal aquele polo num encarnado berrante lavado e estendido ao sol como virgem acabada de desflorar. Não podia acreditar que a empregada tivesse decidido lavar o polo que o seu marido guardava religiosamente há tantos anos na gaveta dos objetos de culto da sua mesinha de cabeceira. Entre eles, o vídeo onde se pode ver a equipa encarnada a subir a escadaria do Estádio Nacional, os adeptos em êxtase, o ligeiro desequilíbrio do Chalana, a sua mão direita a ser colocada sobre o ombro do senhor Raimundo e o suor a marcar a mão do pequeno genial no seu polo. Nunca o senhor Raimundo permitira que aquele polo tivesse sido lavado. O seu santo sudário!

A dona Amélia pressentiu que a Matilde estava, inapelavelmente, a ponto de engrossar o imenso contingente de desempregados deste país. A demissão parecia ser, aos olhos do senhor Raimundo, pena demasiado branda para o crime perpetrado por aquela empregada.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Coincidências lá das Caxinas

 Quem é?
 Manuel Salsão.
 Quem?!
 Ontem telefonei...
 Ah, sim, faça favor de entrar!
 Disse-me que era para vir agora.
 Sim, claro, peço desculpa, não liguei ao nome.
 Não tem mal.
 Então você é das Caxinas?
 Sou sim, e com muito orgulho!
 Terra de craques.
 É mesmo... André, Paulinho Santos, Hélder Postiga e agora o maior: Fábio Coentrão!
 É impressionante!
 E muitos outros por lá apareceram, só que nunca tiveram chances.
 Acredito.
 Deve ter a ver com a nortada... ou com o sargaço...
 Quem sabe...
 Por lá já se diz que é uma queca um craque! Se der rapaz, claro.
 Parece mesmo!
 É por isso que aqui venho.
 Disse-me que tem um filho que vai dar craque?
 Tem pormenores que não enganam!
 Vamos lá então ver isso.
 Repare nesta foto!
 Foto antiga?
 Tirada há uns tempos.
 Era novinho...
 Mas querem investir em craques novos, não é mesmo?
 Sim, sim, mas sem exageros!
 Reparou no cabelo?
 Louro... desgrenhado...
 Ora! Está a ver?
 E o que o faz pensar que o seu filho vai dar craque?
 Além do cabelo?
— Sim, detalhes importantes.
 Bom, eu era vizinho do pai do Coentrão e a minha mulher era vizinha da mãe do Coentrão.
 E mais?
 Sabe como se chama o meu filho?
 Não, não disse.
 Fábio... Fábio Salsão!
 Boas coincidências, mas...
 E não ficam por aí!
 Trouxe algum vídeo do rapaz?
 Sim, trouxe um neste CD.
 Vamos lá então ver o seu talento.
 Vamos lá!
 É este o seu filho?!
 Sim, claro, repare num detalhe importante.
 Qual detalhe?
 Veja com que pé ele chuta: esquerdo!
 Mas que idade tem o seu filho?!
 Dois anos.
 É novo demais!
 Meu caro, lá das Caxinas, ou investe agora ou depois os tubarões levam.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Evea culpa

É inegável que vivemos um período profundamente conturbado da nossa história. Não temos árabes, nuestros hermanos ou colonizados para combater, mas temos guerras abertas em várias frentes: ideológicas entre direita e esquerda; partidárias entre PS e PSD; desportivas entre Benfica e Porto; até no Sporting, clube vincadamente aristocrata e acima de qualquer tentação de mau vício plebeu, na falta de um rival externo para guerrear, desataram à pancada uns aos outros. Em todas estas guerras há um denominador comum no pomo da discórdia: a culpa. Perentoriamente enjeitada por todas as partes beligerantes, surge naturalmente a pergunta inevitável: afinal, onde mora a culpa?

Sendo eu um assumido adepto de boa ponderação sobre as grandes questões, dei por mim a tentar decifrar este enigma nacional de distribuição da culpa. Excetuando a guerra Benfica-Porto — nesse caso a culpa é claramente do Pinto da Costa —, em todos os outros casos, fui recuando até tempos imemoriais. Dos erros da atualidade passei aos erros cometidos no processo de adesão à CEE, logo fui remetido ao problemático período do pós 25 de Abril e, num ápice, à ditadura salazarista. Essa foi consequência do conturbado período da primeira república que, como é fácil de adivinhar, tem os seus problemas com raízes na monarquia. Da monarquia parlamentar passei à absolutista e, recuando pelas três dinastias, fui até ao reino de Leão, transportando a culpa também por árabes, alanos, suevos, vândalos, visigodos, romanos — memorizem este nome, voltarei a eles —, lusitanos, celtas, cartagineses, gregos, fenícios e muitos outros povos que por aqui andaram, passei pelo homo sapiens, homo neanderthalensis e, após uma série de outros homos — todos com agá —, imagine-se onde fui parar. Que coisa incrível! Alguém adivinha? Essa mesmo: Eva! 

A menos que se consiga algum teste de ADN — algo que julgo praticamente impossível ao fim de todo este tempo —, nem ao Adão se pode imputar qualquer tipo de culpa. Convém lembrar que em regimes jurídicos minimamente decentes a paternidade não é mais do que uma presunção e, em prol do bom Adão, não vamos deixar de usar essa prerrogativa. Aliás, segundo os relatos bíblicos, a relação conjugal nos primórdios funcionava em moldes ligeiramente diferentes dos atuais: era a Eva quem saía para angariar sustento e o Adão ficava a cuidar da vida doméstica. Nunca me foi dito às claras — nem preto no branco — o que se passou entre a Eva e a serpente, mas tendo em conta a constante atrapalhação que demonstrava o padre que me catequizou sempre que eu lhe pedia esclarecimentos adicionais, agora que tenho uma visão mais adulta — e cínica — do mundo, sou levado a concluir que só pode ter acontecido uma coisa: a Eva teve um envolvimento íntimo com a serpente. Isso até justifica a má índole do Caim — da qual descende a componente viperina da humanidade — e uma quantidade de maus tipos que têm andado por aí. É bastante provável que o bom Abel seja mesmo filho legítimo do bom Adão, mas aí entramos mais uma vez no reino da mera presunção.

Devo acrescentar um dado que me parece importante e que contribuiu de forma decisiva para a elaboração desta minha teoria: lá pelo meio das minhas averiguações, descobri em alguns textos de direito romano várias referências a uma tal de evea culpa. Quem entende alguma coisa de latim — não é propriamente o meu caso, mas tenho um primo que diz que entende e deu-me uma ajudinha neste caso — sabe muito bem o que isso significa!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Alto plano de autoajuda

Tenho um plano (quase) infalível para que consiga ser superior a praticamente tudo que o apoquenta: vizinha, mulher, filhos, prestação da casa, leasing do carro, resultados do Benfica e tudo mais no plano da sua vida. Deixe-se de lamentações e suba ao telhado — só não o faça num dia de chuva, sob pena de este alto plano de superação pessoal poder redundar num fatal descanso eterno, em plano inferior; fora esse detalhe, o plano é infalível. Verá lá de cima o entra e sai da vizinha, a mulher e os filhos saírem de sua casa no tal carro a leasing e o vizinho a fumar, perturbado pelo resultado do Benfica. E você lá em cima, superior a tudo. Se gosta de fumar, fume. Mas descontraído. Não conhece o resultado do jogo, porquê preocupar-se com algo que não conhece?

Aproveite para pensar na vida, mas não na realidade comezinha que o apoquenta, como (o advérbio, não o verbo) vizinha, mulher, filhos, prestação da casa, leasing do carro, resultados do Benfica e tudo mais no plano da sua vida. Agora está num plano superior. Pode dedicar-se a meditar sobre questões muito mais relevantes para a humanidade: «Qual a origem do universo?», «Deus existe?» ou «O que pensam os mercados?», por exemplo. Diga-me uma coisa: há quanto tempo não para para pensar nessas questões realmente importantes? Tudo o resto é supérfluo. Pense na idade do universo. A sua vida dura menos do que um infinitesimal grão de areia nessa imensa praia do tempo e os seus problemas quase sempre duram menos do que a sua vida.

Leve mantimentos para uns dias e cobertores para umas noites. Vai poder apreciar, lá de cima, as preocupações de alguns que o amam (e provavelmente não sabia) e as de outros que não o amam (e provavelmente também não sabia) e lhe causam muitos problemas. Esqueça que este é um plano relativamente egoísta, pois é só por uns dias. Quando descer, será internado para avaliarem o seu estado de saúde e curarem a sua gripe ou pneumonia. No pior dos casos vai passar uns dias num hospital psiquiátrico para averiguarem a sua sanidade mental. Mas, acima de tudo, vai sentir o amor, o carinho e a preocupação de todos aqueles que gostam de si. Vai sentir-se novamente amado. Vizinha, mulher e filhos vão fazer questão de demonstrarem um amor infinito e incondicional.

Acha que não? Por mais paradoxal que possa parecer, teme receber confirmação da falta de amor da parte de alguns que julga que o amam? Então não leve comida nem cobertores e suba só por uns breves minutinhos. Leve apenas as questões «Qual a origem do universo?», «Deus existe?» ou «O que pensam os mercados?» para meditar. Depois desça e verá como volta mais leve. Resolver problemas relacionados com vizinha, mulher, filhos, prestação da casa, leasing do carro, resultados do Benfica e tudo mais vai parecer-lhe muito simples.

Detalhe importante: o plano só resultará se subir ao telhado de forma convicta e realmente empenhado em responder às questões «Qual a origem do universo?», «Deus existe?» ou «O que pensam os mercados?». Ou questões similares que já lhe tenham passado pela mente em momento especialmente filosófico. «Onde deixei o meu telemóvel?» não serve.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Qual é maior?

Desde já desiludo quem do título desta crónica possa ter deduzido que viria aqui algum depoimento sobre manifestação de tendência homossexual masculina entre amigos de infância na época das grandes descobertas. Desenganem-se, tratarei aqui de teoria dos números, pura e abstrata, em perfeita sintonia com esse viril desporto chamado futebol. Mas garanto que, imbuído de um espírito universalista, tentarei abordar os temas de modo a não assustar quem detesta futebol, nem quem detesta Matemática, nem quem detesta ambas as coisas.

Dos que detestam a Matemática, conheço muitos e de longa data. O primeiro no qual detectei a tendência foi o António Carlos, colega de liceu, que ainda em plena adolescência descobriu uma profunda paixão pelo Direito para evitar a Matemática a partir do 10º ano. De lá para cá, com maior ou menor frequência, constato manifestações mais ou menos explícitas de advogados que lhe seguiram (ou anteciparam) as pisadas, o último dos quais José Guilherme Aguiar, comentador desportivo do programa Dia Seguinte na SIC Notícias. Não se empertiguem os advogados, pois bem sei que nem todos encaixam neste estereótipo. Assim de repente não me lembro de nenhum, pero que los hay, los hay.

Mas voltemos aos números. Melhor, ao futebol. Aliás, ao José Guilherme Aguiar. O sujeito anda desde o Natal a implicar com o golo que o Saviola marcou ao FCP. Não perde uma oportunidade para exibir o anti-benfiquismo primário em todo o seu esplendor, bem secundado pelo acólito verde — não me refiro a nenhum marciano —, afirmando que o golo é ilegal, porque surge na sequência de um fora-de-jogo do Urreta.

Insistiu tanto na história que já pensava dar-lhe algum crédito e adotar para a teoria futebolística de análise à arbitragem a teoria matemática do caos, teoria essa que tem como pilar fundamental o princípio da sensibilidade nas condições iniciais. Num pequeno parêntesis, e para elucidar os mais mal informados, adianto que numa visão extrema  — existe maneira mais elucidativa para exemplificar algo? —, podemos deduzir que está ferido de ilegalidade um golo limpo no último minuto, só porque o árbitro no primeiro minuto não assinalou uma falta banal. Com base em quê? Ora, no facto de que se tivesse assinalado essa falta todo o jogo teria sido diferente. A coisa não é disparatada de todo. Nem nada sensata.

Já pensava adotar essa ideia peregrina da teoria do caos para o futebol português — como se precisasse de mais —, quando entrou em cena a discussão sobre a validade do segundo golo que o Braga — grande rival do SLB esta época — marcou no domingo passado aos verde-rubros da Madeira, golo esse precedido de bola fora do campo nas barbas (se as tivesse) do bandeirinha — não entro em eufemismos vanguardistas de futebolês, bandeirinha é bandeirinha! — e não sancionada por este.  Instado a comentar o lance, José Guilherme Aguiar afirma perentoriamente não haver mácula que possa ser detectada no referido golo. Justificação? Entre a bola fora do campo e o golo passou tempo suficiente para que não faça sentido apelar-se a qualquer tipo de correlação entre a ilegalidade da bola fora e a legalidade do golo dentro. Onde é que eu já vi algo parecido mas sem a mesma conclusão?

Hoje em dia não há dúvida futebolística que subsista por muito tempo. Quase sempre subsiste o tempo que demora até alguém colocar o vídeo do respectivo lance no YouTube. No caso em concreto, dois vídeos: o do Saviola — que já lá estava desde a época natalícia para reanimar portistas amargurados — e o do Luís Aguiar (mais carnavalesco). Podia ter acontecido de, entre a ilegalidade do fora-de-jogo e o golo do Saviola mediar menos tempo do que entre a ilegalidade da bola fora de campo e o golo do Luís Aguiar. Aposto até que, em tal caso, num critério auto-denominado de nada tendencioso e no fair-play que o caracteriza , José Guilherme Aguiar argumentasse que é em algum momento entre os dois tempos (tempo médio?) que a teoria do caos aplicada ao futebol deixa de ter validade. Contudo, a medição do tempo nos vídeos do YouTube demonstra que se tratou de parcialidade descarada e do mais puro veneno anti-benfiquista, pois no tal lance do Saviola transcorreram 14 segundos, enquanto que no do Aguiar (o jogador) apenas 10 segundos.

Consigo imaginar uma das primeiras aulas com algum conteúdo matemático, muito provavelmente um dos momentos mais marcantes na vida do referido comentador que teima em não permitir que eu simpatize com ele. Pergunta o professor: «Qual é maior, Zezinho, 10 ou 14?». Na reação do professor à sua resposta deve ter descoberto Zezinho, aos 6 anos de idade, a paixão pelo Direito.