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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Estudos de equilíbrio

Os estudos são como tudo: valem o que valem (e utilizo aqui um recurso lapalissiano por não ter encontrado maneira mais interessante de começar este texto). Dependendo de quem os realiza, da forma como os realiza ou das conclusões que deles são extraídas, tanto podem surgir para acrescentar informação de valor, como redundar num desastre total.

Para ilustrar o que pretendo dizer com desastre total, podia aqui referir as recentes conclusões de João Duque e seu naipe de ases na sequência de um suposto estudo sobre a RTP. Contudo, aquilo pareceu-me mais um documento produzido com segundas intenções para agradar a terceiros do que um estudo sobre a RTP. Por conseguinte, não merece ser aqui citado, nem na categoria de estudo que redundou num desastre total.

Nessa categoria, prefiro recordar um estudo feito há uns anos — não sei onde, nem por quem, mas talvez até seja melhor assim —, cuja conclusão ditava algo como: «descafeinado faz mal ao coração». O estudo foi divulgado nos media e, como a conclusão era surpreendente, o estudo foi repensado — nem sei até que ponto já tinha sido pensado antes, mas concedo aqui o benefício da dúvida aos seus autores. Repensamento feito, concluiu-se que, afinal, não era bem assim: o que sucedia é que pessoas com problemas do coração — e não me refiro aos mal de amores — tinham já, à partida, uma certa tendência para substituir o café pelo descafeinado. É evidente que uma inversão entre causa e efeito pode desvirtuar um pouco o valor de um estudo.

Exemplos inequívocos — pelo menos para mim — de estudos com valor são regularmente levados a cabo pela CareerCast.com sobre as melhores profissões nos Estados Unidos. Nesses estudos são tidas em conta as características de cada profissão, entrando em consideração fatores como a remuneração, a responsabilidade e o stress. O estudo de 2011 revelou a profissão de matemático como a segunda melhor do ranking, apenas atrás da de engenheiro de software. Surpresa? Só para quem não tem estado a par dos resultados desses estudos, pois a profissão de matemático já tinha ocupado a sexta posição em 2010 e a primeira em 2009!

Trabalho num país muito diferente dos Estados Unidos, onde a valorização profissional não é necessariamente a mesma — em Portugal a coisa funciona mais a sério e não se dá valor por aí além a esses alucinados matemáticos —, mas nos tempos que correm não posso deixar de considerar como excelente um estudo que revela resultado tão animador. E manda o meu manual de equilíbrio psíquico e emocional que encare tal estudo como bem pensado, bem realizado e bem concluído! Mais não seja, para ter o conforto de saber que quando a situação por aqui apertar para valer, ainda há lugares neste belo mundo onde um exílio pode compensar.