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| Chavela Vargas |
Posteriormente, tive a oportunidade de vê-la participar no filme Frida, onde, numa aparição fugaz, interpreta de forma magistral La Llorona. Deixou assim a sua marca num filme arrebatador, onde convergem de forma deliciosa diversas formas de expressão artística, a uni-las a vida e a arte da intensa Frida Kahlo.
À medida que fui explorando o seu enorme talento como intérprete musical, fui também ficando apaixonado pela sua forma de cantar dramática e visceral. Quanta alma! Eu, que até cresci musicalmente acostumado à intensidade e ao dramatismo do fado, não exagero se disser que por diversas vezes me deixei arrebatar pela sua forma de cantar.
As suas canções passaram a fazer parte da trilha sonora de vários momentos da minha vida. Dentro do iPod que nos últimos anos transporto quase religiosamente nas minhas viagens, sejam elas a pé de casa até ao trabalho, de carro pela Europa ou de avião até ao Brasil ou China, muitas das suas músicas tornaram-se presença indispensável.
Morre agora o meu sonho de poder vê-la espalhar ao vivo o seu talento e arte sobre algum palco deste mundo. Tomou o último trago de uma vida longa e palpitante, mas deixou a uma enorme legião de fãs inúmeros tragos daquela que foi um dia chamada a voz áspera da ternura.
