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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Português de férias

As férias foram ótimas. Tivemos um ligeiro atraso no voo da ida, mas o lounge da companhia aérea era muito bom — é por essas e por outras que evito viajar em charter ou low cost. Isto de ter o frequent flyer na categoria silver — quem sabe um dia chego a gold! — também tem as suas vantagens. Além do acesso ao lounge, o check-in é muito mais rápido e nunca se tem problemas com overbooking.

Compramos viagens, hotel e carro tudo num pack. Agora há sites com links para todas essas coisas. Quando chegamos lá foi só apresentar na rent-a-car o voucher que me foi enviado por email, pegar o carro no parking e sair. Nem precisámos de utilizar o serviço de transfer do shuttle para o hotel. Por sorte, fizeram-nos upgrade para um carro com GPS, bluetooth, cruise control e entrada USB para o iPod! Carro diesel.

Tivemos um pequeno contratempo no primeiro hotel. A culpa foi minha, pois por engano reservei quarto single em vez de double. Mas logo me deram a escolher entre uma suite ou um quarto com camas twin e o problema ficou resolvido. Procedimento standard.

Por lá vimos vários shows, alguns em festivais alive. Quando não eram free íamos à net e comprávamos tickets online com o cartão de crédito. Numa das vezes tive problemas no checkout para o pagamento e liguei para o call center. Disseram-me que provavelmente era falta de crédito no cartão. Entrei no moblie banking e constatei que era mesmo. Resolvi facilmente o problema aumentando o plafond do cartão.

Só ficámos em hotéis com wifi, é claro. Fomos fazendo upload de fotos e vídeos para o Facebook e o Google+ através do smartphone ou do tablet — muito mais práticos do que laptops ou notebooks. Fiz download da app de um VOIP que permitia fazer voice calls para a família praticamente free, mas muitas vezes ficávamos só no chat do messenger. Nada de roaming. 

Conhecemos restaurantes fantásticos. Alguns gourmet, outros muito in com bastante glamour, mas por vezes até apetecia coisa mais light. Uns snacks e pronto. Não somos preconceituosos com a fast food. Quando andávamos mais de carro, passávamos nalgum drive-in e levávamos comida para o hostel. Nesses dias não exigimos nada de muito chique, um bed & breakfast está OK. Claro que em dias de descanso não dispensamos um bom resort. De preferência com bungalows.

Quanto a roupas, praticamente só bermudas, shorts, T-shirts e polos. Blazers ou pullovers não combinavam com o clima informal e quente. Antes de viajar comprámos peças a ótimos preços no stock-off de um outlet numa megastore do shopping center perto de casa.

Desligamos de tudo isto por cá. Nada de jornais online nem TV — a dependência do router e da box é uma coisa terrível. Não quisemos saber de troikas, rentreés políticas nem jobs for the boys. Ou girls. Em suma, esquecemos o rating da nação e aproveitámos a vida!

Aqui em off: estamos a pensar vender o nosso velho jeep e comprar um carro igual ao da rent-a-car. Em leasing. Tem um design fantástico. Especialmente o tabelier e o capot.  Já passamos no stand da marca e vimos um bordeaux no showroom lindo. Nem precisamos do test drive. Claro que queremos o kit com todos os extras!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tempos de crise

Conversa entre vizinhas.
— Bom dia.
— Bom dia.
— Tem ovos?
— Não sei, hoje ainda não fui ao galinheiro. 
— Precisava...
— Agora para o almoço?
— Sim.
— Então vamos lá ver.
— Vamos lá!

Descem até ao galinheiro.
— Já tinha vindo aqui?
— Não, nunca.
— É aqui que as crio.
— Pensava que tivesse mais galinhas.
— Já tive, mas dão muito trabalho...
— Aquela é maior porquê?
— É galo...
— Ah... E põe ovos maiores?
— O galo?!
— Sim.
— Não foi feito para isso!
— Ah, claro, que disparate!
— Distração....
— Pois.

A proprietária acerca-se do ninho das galinhas poedeiras.
— Há ovos.
— Que bom!
— Quantos quer?
— Meia duzinha...
— Arranja-se.
— Vou fazer uma omelete. 
— Estes são ótimos.
— Com ovos caseiros faz-se uma refeição boa e barata.
— Sem dúvida.
— A sua produçãozinha dá uma boa ajuda.
— Dá mesmo.
— Dá para si e ainda vende barato aos vizinhos.
— Bom para todos.
— Tempos de crise... está complicado...
— Muito.
— E a situação está cada dia pior.
— Está mesmo.
— Mas nós ainda nos vamos aguentando sem grandes sacrifícios.
— Graças a deus.
— Já há muita gente em situação delicada.
— Infelizmente.
— Cada vez mais gente a ferrar o cão.
— Imagino.
— Olhe, vou andando. Depois pago-lhe os ovos, está bem? 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Prece de um português consciente

Festejos na Luz
Meu deus, meu bom deus, ciente da omnipresença que te caracteriza, estou certo que tens acompanhado todas as manifestações de grande irresponsabilidade dos adeptos portistas nas últimas 24 horas. Como é possível que, em época de crise económica e financeira tão acentuada, eles saiam para rua a gastar enormes quantidades de recursos petrolíferos cuja importação tanto pesa na nossa balança comercial? Como é possível que, num momento em que o país necessita urgentemente de aumentar a produtividade, eles se deitem a altas horas da madrugada e no dia seguinte cheguem — e só tu sabes em que condições físicas — tarde ao trabalho? Meu deus, meu bom deus, como é possível que, num momento em que tantos portugueses andam carenciados do bem estar físico, psíquico e social, adeptos de um mero clube de futebol fiquem na rua aos berros até de madrugada, utilizem compulsivamente as buzinas dos carros e assim perturbem o sossego de quem já anda tão perturbado? Meu deus, meu bom deus, porquê todo esse frenesim? Para celebrar a vitória de um grupo de homens em calções a dar pontapés numa bola? Que espécie de gente é essa que coloca tal frivolidade acima dos interesses e dos valores mais profundos da nação? Que espécie de gente é essa que não pensa no que pensam os mercados nem nas suas reações? Meu deus, meu bom deus, como podem esses portistas criticar a atitude consciente e ponderada dos dirigentes benfiquistas que, sensatamente, optaram por não agravar ainda mais o nosso défice energético? Meu deus, meu bom deus, como se tudo isso não bastasse, hoje entopem as caixas de correio eletrónico com frases tolas e fotos de um profundo mau gosto — chegam ao cúmulo de desrespeitar a imagem e o bom nome de Jesus! Fazem desfilar pelos murais facebookianos um chorrilho de piadas, anedotas e comentários sem a menor contribuição para solucionar os grandes problemas do momento. Meu deus, meu bom deus, essas pessoas não trabalham? Não têm filhos para sustentar e um país para ajudar a recuperar? Como é possível que nesta situação económica tão inspiradora de cuidados, 24 horas depois do tal feito do bando de homens em calção a dar pontapés numa bola, ainda tenham os pensamentos todos dirigidos para aí? Meu deus, meu bom deus, eu sei que não é digno de um crente desejar mal aos outros e ainda menos digno é quando nos outros estão incluídos familiares e amigos. Longe de mim desejar-lhes mal que lhes afete a saúde, as finanças ou o bem estar familiar. Mas, se pudesses interferir... Não te peço grandes intervenções, apenas uma coisinha aqui e outra ali, que os faça não terem motivos para sair de casa para festejos até ao debelar desta maldita crise que tanto nos apoquenta.