Salvo algumas honrosas exceções, neste extremo da Europa o cenário tem vindo a acentuar-se como consideravelmente diferente. A começar pelos jardins públicos que entraram numa onda de austeridade muito antes dos tempos austeros terem chegado cá. Nalguns, porque os municípios que os detêm preferiram a sobranceria de um qualquer arquiteto taciturno ao desabrochar de algumas flores. Noutros, porque o orçamento que chega para pagar a gestores (supostamente baratos) de empresas camarárias, não chega para pagar a jardineiros (supostamente caros). A austeridade prossegue nos jardins de muitas vivendas, onde, em muitos casos, só por desconhecimento do significado da palavra se pode continuar a designar o espaço por jardim.
O caso específico que aqui pretendo abordar é o de um jardim num certo estabelecimento comercial. Nas minhas caminhadas diárias até ao local de trabalho costumo passar por um prédio pertencente a uma instituição bancária de nome milenar. Em frente a esse prédio há um pequeno jardim que dantes tinha relva regularmente tratada e arbustos satisfatoriamente cuidados. De há uns tempos para cá, quem dirigia essa instituição terá decidido que o dinheiro que chegava para pagar jatos particulares de ex-administradores, deixara de chegar para cuidar do jardim.
Alguém faz ideia do preço dos serviços prestados por um jardineiro?
Cheguei a pensar mandar um e-mail para essa dependência bancária, alertando para o mau estado do jardim. Na época, era eu cliente da instituição e sabia que eles se preocupavam bastante com questões de imagem: nos vários anos da nossa relação não houve um único funcionário que não me tivesse recebido de gravata enlaçada! Pensando melhor, acabei por frear o meu ímpeto, pois diversas notícias davam conta de que a austeridade tinha atacado de forma implacável até o rico Jardim. Assim sendo, era natural que o pobre jardim tivesse que continuar mal cuidado. Optei por não perturbá-los, deixando-os com a atenção única e exclusivamente centrada nas inquietações dos mercados internacionais.
Para meu grande contentamento, constatei há dias que no exterior dessa tal instituição, jardineiros aparavam a relva e davam melhor aspeto aos esquecidos arbustos. Será este um primeiro sinal da retoma económica?

























