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Tenho uma amiga (Marcela, nome fictício) que visitou a França (nome não fictício). À entrada de uma loja, um cavalheiro francês (Maxime, nome provavelmente fictício) franqueou a porta para que a Marcela passasse. A Marcela já tinha avançado alguns metros dentro da loja quando sentiu a mão do Maxime tocar-lhe o ombro. Virou-se. E escutou do Maxime, num tom de simultâneo ensinamento e reprimenda, um claro «merci». Por distração (ou falta de à-vontade para raspar o r na garganta) a Marcela não tinha agradecido a gentileza com o devido «merci». E o pseudo-gentil Maxime fez questão de lembrá-la disso. Noblesse oblige.
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Eu mesmo (Josué, nome ligeiramente fictício) visitei a Bulgária (nome não fictício) num tempo em que o sistema comunista já definhava. Dada a escassez e baixo preço dos bens, pela primeira vez na vida o pobre Josué poderia ter-se sentido (mas não sentiu) exageradamente endinheirado. Excetuando as belas e elegantes garotas búlgaras, o Josué comprava tudo que lhe agradava. Numa barraca de artesanato, por gestos, tentava fazer com que um ancião entendesse o produto (exposto por detrás de si) que o Josué pretendia comprar. O diálogo gestual não estava fácil. Em dado momento, o ancião soltou uns impropérios (julga o Josué) e encerrou a barraca. Mais tarde o Josué veio a saber que, na Bulgária, em termos de cabeça meneada, «sim» e «não» são gestos opostos aos da Europa Ocidental.




















