«Os impérios do futuro são os impérios da mente»
Winston Churchill
Como é sobejamente conhecido, os romanos deram contribuição valiosa para o desenvolvimento deste nosso mundo em muitas áreas relevantes. Entre outras, aprimoraram a Arquitetura, o Direito, a Literatura, os Banquetes, as Orgias, mas, na minha imodesta e pouco isenta opinião, deixaram a Matemática relegada para segundo — ou até menos honroso — plano.
A prova de que os romanos não deram o devido contributo para a Matemática está, desde logo, na forma estranha — e pouco útil — como representavam os números. Não por representá-los através de letras, pois isso até é coisa que qualquer matemático ainda hoje faz — e aprecia — com muita frequência, mas pela lógica subjacente. Ou pela falta dela, para ser mais exato.
Para que se convença da pouca conveniência da numeração romana, pegue numa folha de papel, escreva dois números e tente multiplicá-los recorrendo apenas a esse sistema de numeração. Escolha números grandinhos para não cair na tentação de usar as suas habilidades de cabeça formatada pela numeração decimal. CMXII vezes DXLIV, por exemplo. Eu demorei alguns minutos e não estou absolutamente seguro de que não trapaceei com conhecimento extra do sistema decimal. Nem de que o resultado está certo.
Mas não precisávamos de ir tão longe. Mesmo o simples ato de comparar dois números em numeração romana é muito pouco intuitivo. No sistema de numeração árabe, basta um relance de olhos sobre dois quaisquer números para que rapidamente se tenha a noção de qual deles é maior. Os tais 912 ou 544, por exemplo. Claro, não é? E se eu tivesse escrito CMXII ou DXLIV? Continuaria a ser claro, mas seguramente um pouco mais demorado.
Pois eu sinto que retrocedemos ao tempo dos romanos de todas as vezes que me é dado a saber o que pensam elas.
Dada a importância das visadas, é de todo pertinente que eu abra — e feche — um parágrafo extra só para dizer o que me vai na alma. Infelizmente, hoje em dia são elas que mandam em tudo. Elas tomaram as rédeas do mundo e controlam-nos todos os passos. Mesmo os passos sem coelho. E delas não se espere sentimentos de compaixão, pois regem-se por uma pretensa objetividade que não se compadece com o sofrimento. O alheio, naturalmente.
Refiro-me às agências de notação financeira. De tempos a tempos, brindam-nos com os resultados dos seus aturados e profundos estudos sobre como se encontram determinadas componentes deste nosso mundo — quiçá também do outro, mas sobre isso ainda não tenho dados. Ou talvez, melhor dizendo, estudos sobre como essas agências querem que se encontrem determinadas componentes do mundo. Não foram nada perspicazes a prever descalabros passados, menos ainda detetam os presentes, mas são tidas como verdadeiros oráculos dos políticos atuais — exceção feita a Cavaco Silva (o atual, não o de há um ano) que até diz que nunca foi político — e os seus ditames condicionam-nos inexoravelmente o futuro.
E, para que as componentes do mundo que elas preferem ver no lixo não descubram facilmente o quanto já estão lixadas, inventaram uma notação quase tão pouco intuitiva quanto a numeração romana. Pela Moody's, Portugal está agora classificado com Ba3. Parece que não é lá grande coisa. Para ser sincero, sem estudar melhor a notação, nem sei muito bem o que esperar a seguir. Só espero que, ao contrário do Império Romano, o delas leve pouco tempo para entrar em colapso!





















